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quarta-feira, 14 de maio de 2014

Resenha: Nébula – Demo 2013

Desde os primórdios o rock é provocativo, nomes como Elvis, Bob Dylan, Eric Clapton, só pra citar os mais famosos e ainda tranquilos se considerarmos as bandas que temos hoje. E Nébula é uma das bandas mais provocativas que eu escutei nos últimos tempos. De Sorocaba, interior de São Paulo, Laura (vocal), Grings (guitarra), Douglas (baixo), Secão (bateria), fazem uma som sujo, mas com algumas melodias com uma pegada sludge, vocais bem gritados e letras curtas. E em 2013 liberaram sua Demo para audição e download.

“Karma Social” abre o disco com uma pegada mais cadenciada, mas quando Laura começa a cantar os primeiros versos fica mais rápida e com algumas melodias obscuras. A letra de “Karma Social” também merece destaque. A letra fala sobre a rotina das pessoas, principalmente das mulheres, onde, abandonam emprego e uma vida social para ser dona de casa e ter isso como o principal objetivo de vida. “Dizer ser livre é simples/Você se acostumou com essa vida regrada/Lave, passe, cozinhe!/Sua vida é cuidar de outras vidas/Trabalho árduo/constante e difícil/Que nunca é reconhecido/Remuneração não existe/Você nasceu pra criar filhos”.

Em seguida vem “Vida de Mentira” com velocidade e melodia, mas ainda na mesma pegada obscura, que percorre por todo o disco na verdade. O refrão em coro destacam os dizeres “Vida de Mentira, Ilusão!”. Assim como a antecessora, esta faixa também tem uma excelente letra. Bem direta ao assunto, “Construindo a sua imagem/Baseado em possuir/Escravizado pelo ter/Esquecendo-se de ser/Vida de mentira, Ilusão!”. Outra coisa que merece ser mencionado é que a letra associada aos gritos e a atmosfera da música também contribuíram bastante para o diferencial desta faixa.

“Reza” começa com o baixo dando o tom da música, até a entrada da bateria. Com isso a musica ganha muita velocidade, que perdura por quase toda a musica, somente cessando no final onde os berros dão espaço aos versos "Óh deus da miséria, das diferenças, das guerras e da fome/Quantas atrocidades, destruições e mortes em vosso nome/Mentiras que nos trouxe, regresso, culpas e vergonha/E que até hoje controla mentes, as julga e amaldiçoa/Declaro a ti todo meu ódio/Cuspo em seu trono edificado com sangue/Eu te renego e te contradigo/Maldito seja, maldito seja" sendo apenas falados. O trunfo desta banda é exatamente isso, nenhuma musica é tão parecida com a outra, é sempre uma montagem diferente a cada faixa.

Sendo a faixa mais curta do disco (1:20min.) “Apenas Mais Um” chega com a guitarra veloz e continua com todos os instrumentos acompanhando e segue assim por toda a ela até seu fim. E como todas as outras musicas do disco, está também leva uma ótima letra. “A democracia é uma mentira/Não temos voz/Leis que beneficiam os ricos/Não servem pra nós/Eles sempre vão ter/Nós iremos ser/Apenas mais um/Apenas mais um”.

E para fechar o disco com velocidade “Cães da Burguesia”. Em minha opinião umas das melhores faixas do disco, tanto musicalmente como liricamente. Não dá nem pra falar muito sobre a faixa, é escutar mesmo pra crer.

“Usam da impunidade
Espalham o terror
Cometem atrocidades
Em nome da ordem

Fora da lei
Abençoados pelo estado
Assassinos
Institucionalizados

Em favor da burguesia
cães ferozes e cegos
atacam com selvageria
quem deveriam proteger

Não aceitam ser questionados
Agem acima da razão
O longo braço do estado
Invade sua alma”

Eu tenho que confessar uma coisa, eu já tinha visto este disco a um bom tempo antes. Mas escutado a primeira vez, não tinha me identificado com ele, no dia que escutei, não gostei, torci o nariz. Bobagem a minha. Resolvi dar uma segunda chance, e hoje é um dos discos que mais escuto. Por tanto, lição de moral, sempre deem uma segunda chance, vocês podem passar a admirar aquilo que odiou um dia.

Deixando de confissões e voltando ao assunto em questão. Nébula conseguiu fazer uma demo com 5 musicas, onde todas são relevantes, todas tento ótimas letras, e todas com algum diferencial, nenhuma sendo a cópia da outra. Parabéns e espero que saia algo novo logo.

Banda: Nébula
Disco: Demo 2013
Ano: 2013
Tempo: 12:37 min.
Faixas
          1. Karma Social
          2. Vida de Mentira
          3. Reza
          4. Apenas Mais Um
          5. Cães da Burguesia

Streaming e download: nebulapk.bandcamp.com


terça-feira, 13 de maio de 2014

Resenha: Krampus – Krampus

Engraçado como a mídia nos engana e faz do nosso mundo, aparentemente mais bonito. Desde criança ouvimos história daquele bom e gentil velhinho que nos dá presentes todos os Natais. Contam-nos que as crianças más não têm esse direito. Mas não contam a verdade sobre o que acontece com elas e nem quem vem presentea-las. E a verdade é trazida a tona por este que vos escreve. Krampus as trás presentes. Para quem não sabe quem é Krampus segue abaixo a pesquisa realizada no Wikipedia:

“Krampus é uma criatura mitológica que acompanha São Nicolau durante a época do Natal, segundo lendas de várias regiões do mundo. A palavra Krampus vem de Krampen, palavra para "garra" do alto alemão antigo. Nos Alpes, Krampus é representado por uma criatura semelhante a um demônio. Enquanto Papai Noel dá presentes para as crianças boas, o Krampus avisa e pune as más crianças. Tradicionalmente, rapazes se vestem de Krampus nas duas primeiras semanas de dezembro, particularmente no anoitecer de 5 de dezembro, e vagam pelas ruas assustando crianças e mulheres com correntes e sinos enferrujados. Em algumas áreas rurais, a tradição também inclui surras aplicadas pelo Krampus, especialmente em garotas.”
Wikipédia

Apresentado o demônio às crianças chega a hora de falar de Krampus, banda de Raw Black Metal de Carapicuíba/SP. Com uma pegada ainda de Crusty e Grindcore lançaram sua Demo autointitulada em 2014, com apenas duas faixas.

Começando por “As the Sky Turns Black”. Entrando sem frescuras e com atmosfera obscura, a faixa segue com velocidade até seu fim. Grande destaque para sua letra, conteúdo muito político, controverso para aqueles que Black Metal é só anti-religião, ocultismo, satanismo, e etc. Segue:

“Swallow your pride
irrational nationalism
Satan will devour
his Christian conservatism

As the sky turns black
masked warriors to overthrow
his country, his government
the hatred will reign

Swallow your pride
irrational nationalism
Satan will devour
his Christian conservatism

As the sky turns black
masked warriors to overthrow
his country, his government
the hatred will reign”

E já terminando o disco “Infernal hails from the land of damned” inicia com o baixo, e logo quando entra a bateria aparece um belo de um urro (puta susto cara). Um urro mais alto que o instrumental e a musica continua com velocidade e som cru até seu fim.

Disco curto, mas bem legal, principalmente para os fãs de som sujo, cru e tom obscuro.

Banda: Krampus
Disco: Krampus
Ano: 2014
Tempo: 03:30 min.
Faixas
         1.       As the Sky Turns Black
         2.       Infernal Hails From the Land of Damned

Streaming e download: krampusrawblackmetal.bandcamp.com

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Resenha: Catholic Youth – Punk é Destruição

Existem coisas que você só conhece entrando a fundo nos porões deste vasto Brasil. E nestas andanças minha por este imensurável universo me deparei com a Catholic Youth (Punk/Hardcore/Crusty). Instalados em Salvador (CE) o grupo tem no currículo dois E.P., fazendo um som extremamente rápido e com músicas curtíssimas, de no máximo 1 minuto. Este ano (2014) estes lançaram seu segundo E.P. intitulado “Punk é Destruição”.

É até difícil fazer uma resenha de um disco assim, 10 faixas e uma totalidade de 7 minutos o disco todo. Não há muito o que falar, o negócio é tacar no player e ficar doido.

Logo de cara “No Shower”, extremamente rápida vem pra justificar: “no shower for me and you/ no shower I have better things to do/ no shower I live my life dirt and rotten/ no shower it´s a way of life!! no shower”. “TV is a Crap” vem para colocar um dedo na ferida no Sistema Televisivo Brasileiro. “TPM” é o desabafo da parte feminina da banda. “Be a Feminist Man” toca em um assunto mais sério, o feminismo. Lembrando a todos os marmanjos que feminismo não é só para mulheres, e não é um movimento de lésbicas que odeiam homens, existe uma luta muito maior envolvida, sugiro, para quem tem esse tipo de mentalidade, um pouco mais de pesquisa. “Senseless” vem e vai extremamente rápida, apenas 14 segundinhos. Assim como “Be a Feminist Man”, “Pro-life Sucks” toca em um assunto mais sério, o aborto. “my body, my mind/ pro-life sucks, pro-life sucks/ my utero, my rights/ pro-life sucks, pro-life sucks/ can you understand my abortion?!/ pro-life sucks, pro-life sucks/ this is about my options!!/ pro-life sucks, pro-life sucks”. “We’re positive people” e “Eu sou isso” vem pra fechar a parte de composições próprias.

Fechando o disco a banda preparou uma versão, até um pouco inusitada, da música “One way or another” da banda Blondie e uma versão de “Attitude” do Bad Brains.

Disco extremamente rápido tocando em assuntos polêmicos aqui e ali. Lançamento de qualidade. Um disco que, para você que gosta de barulhos, demorará a enjoar.

Streaming e Download: http://catholicyouth.bandcamp.com/


*Obs: Aproveitem e escutem também a demo no bandcamp.

domingo, 27 de abril de 2014

Resenha: Crystal Methodist – Crystal Methodist

“Nova Hampshire foi uma das Treze Colônias britânicas que se revoltaram contra o controle britânico na região, sendo que Nova Hampshire foi o primeiro estado norte-americano a declarar a sua independência.” (Wikipédia)

Com histórico de revoltas, a musica não poderia despertar outra coisa se não a revolta, Crystal Methodist é o resultado disso. Mandando um Hardcore Punk bem próximo a um Crusty por vezes, Jeremy Cunninghan (vocais), Logan Miller (guitarra), John Canny (baixo), Pat Coughlin (bateria) lançam seu segundo registro em Março de 2014 levando o mesmo nome da Banda.

Com musicas extremamente rápidas, letra curta e vocal geralmente gritado o disquinho tem, por volta de 8 minutos. 8 minutos que você pode passar em transe com esse som.

Capa Crystal Methodist
“Intro/Give a Fuck” com titulo deste a letra não poderia ser menos provocativa.

“I used to dream everyone gave a fuck
about anything besides themselves
I know I should
I wish I could
I'm putting my problems on the shelf

Why don't you give a fuck
Why can't I give a fuck”

“Abyss” e “TFM” continuam com a velocidade e o peso. “TFM” ainda tem como participação James Sheridan. “What Happened” tem um ótimo refrão, impossível não gritar “Oh! What Happenend” junto. “Fixed Fighter” segue com o vocal muito rápido, mas sem desagradar aos ouvidos de quem já está acostumado. “Best Friend” começa com o baixão distorcido, mas logo entra os outros instrumentos pra adicionar o nosso tão aclamado “barulho”. “What to Worship” tem a letra mais longa de todo o disco, segue:

“Afraid to die
Afraid of wrong and right
They gave you a book
Said the answers were inside
I guess its harmless if it helps you sleep
but don't tell anyone how to think

You can't save me
I don't need to be saved

Cherry-picking verses from a broken moral compass
You say that he's your savior but you're nothing like your Jesus
Be my guest. Believe what you want
but don't reject me because I reject your god

Fuck you and fuck your religion
Your values come from an outdated system
Fuck your god. Fuck your heaven
I'll deal with the life I'm living”

E pra encerrar o disco “Successful” com “Success is na illusion”.

Grande destaque para as faixas “What Happened”, “What to Worship” e “Successful”.




Obs: Aproveitem e escutem o disco anterior, recomendo muito.

sexta-feira, 21 de março de 2014

Resenha: Distopía – Errantes En Un Mundo Dominado Por Presuntas Certezas

Assim como a distopia ficcional o som desta banda de Santiago (Chile) lembra os sons da catástrofe de uma sociedade dominada pelo totalitarismo, autoritarismo e controle opressivo do Estado.
Adeptos ao veganismo eles declaram em sua pagina no Bandcamp:

"Los participantes del movimiento, si realmente queremos que esto siga adelante, tenemos que ser fuertes y críticos con nosotros mismos. No debe quedar nuestra crítica en el nivel cognitivo, del pensamiento, sino que debe ser a todos los niveles. También al nivel de valores y actitudes.Debemos ser capaces de cuestionar esos valores y actitudes, lograr cambiarlos y darnos cuenta en lo más profundo de nosotros que la gente que rescata animales enjaulados, animales cuya única oportunidad es esta- que alguien tenga la bondad de rescatarlos- es gente "buena",gente compasiva, gente con un gran corazón y que nosotros somos gente así. Entonces cuando consigamos tener estos conceptos claros en lo más profundo de nosotros, reflejaremos lo que llevamos dentro en nuestras acciones y comportamientos. Entonces seremos completamente coherentes con nuestra lucha, con nuestras ideas y pensamientos. "

É com estas questões que, em 12 de Novembro de 2013, os caras lançam o registro “Errantes en un Mundo Dominado por Presuntas Certezas”. E em minha mente dominada por supostas certezas, este é um ótimo registro. Fazendo um Crusty/Punk/Hardcore/D-beat - rotule dá maneira que quiser - em 5 faixas e aproximadamente 11 minutos, eles passaram sua mensagem.

Errantes en un Mundo Dominado por Presuntas Certezas
Logo de cara vem a faixa “Humilhados” com uma intro muito bem feita e logo em seguida os berros declarando “humillados por el peso del trabajo / métodos de esclavitud moderna / sin quererlo hacemos girar el motor / que destruye nuestras vidas / a cambio de papeles / creyendo que solucionaran nuestros problemas”. E em seguida vem a faixa “Estructuras”, assim, sem introdução, já começando com as criticas de nossas estruturas sociais que nos causam medo e nos condenam.  Já “Errantes” não é um grito de revolta, mas sim libertário. Mas em “Nvnca Más” o grito de revolta reaparece, com uma letra tão forte que me fez querer posta-la por inteiro, segue:
“Domesticadas sociedades, fabricadas para satisfacción de una minoría.
cada aspecto de ellas encierra a nuestro corazón entre oxidadas jaulas
seda nuestras mentes con banalidades
que insensibilizan nuestro interior
Hunde cada trozo de amor a la libertad
bajo el negro concreto de nuestra cuidad
lo que amenaza el cotidiano, lo declaran ilegal
excusándose con la paz y la seguridad

pero son ellos los que tienen las armas
son ellos los que escupen negros ríos sobre verdes bosques

una podrida realidad / que se clava en nuestro pecho,
se arrastra por nuestras gargantas y vomitamos angustia, dolor y rabia

ANGUSTIA, DOLOR Y RABIA

Sumisos, nunca más!

La civilización será el infortunio, la razón por la cual tus armas apuntaran Tú cabeza.”

E depois de todas estas criticas a nossa sociedade, mais um berro declara “El humano El câncer de La tierra” na letra de “Cancer”.
Sem sombra de dúvidas este é um ótimo registro, indicado para todos adoradores de barulheiras.

Streaming e download: http://distopiabanda.bandcamp.com/