terça-feira, 29 de julho de 2014

Resenha: Luta Civil – Mentiras e Piadas

Vivemos tempos áureos de democracia se for olhar para trás e ver tudo o que foi feito por movimentos sociais. E ainda temos muito que fazer para chegar a um nível democrático bom para todos. É nesse sentido que se dá a luta civil. Luta civil pode ser qualquer reunião de pessoas que tem uma reivindicação (uma agenda) em comum. É com esse entusiasmo que se dá o Luta Civil, banda de punk na ativa desde 2011. E em 2014, Leo Moraes (guitarra e vocal), Maurício Martins (baixo e vocal) e Eduardo Coes (bateria) lançam seu primeiro álbum, “Mentiras e Piadas”.

Começando com “nananana, iêiêiêiê,laialaialaialaia, uôuôuôuô” indagam “POP pra quê?”, pois “escutar sem refletir/cria um bando de alienados/cérebros cheios de merda”. Letra ácida, musica rápida, com a pegada bem punk clássico. Em seguida “Eu quero (Trilha Sonora Rock n’ Roll)” tem uma levada mais lenta e uma letra mais divertida, acompanha qualquer cerveja, cachaça, cigarro ou vinho seco. Na sequencia, chamada pelo baixo, a musica titulo do álbum “Mentiras e Piadas”, solos de guitarra totalmente fora de padrões musicais midiáticos, boa sequencia para a letra que denuncia esse bando de bons mocinhos business/funcionários do mês que dão até vontade de vomitar.

“Dependência” é mais hardcore, mais agitada, mais rápida, mais curta, mais agressiva, mais violenta, mais anti-emprego, mais me deixou sem fôlego. E depois da pogação gerada por dependência vem “Mosh”, com uma sonoridade mais engraçada, e lenta, mas que com o passar do tempo a velocidade vai crescendo, crescendo, até chegar no refrão e “Abra os braços, preste atenção!/Se cair, não passa do chão!/Ter coragem é para quem pode/Pula aí e vê se não morre”.

Na sequencia e voltando a botar o dedo na ferida, “Outra Resposta” vem para questionar o comportamento para o pensamento escroto da maioria das pessoas, “Dinheiro para comprar/Mulheres para sair/Carros para correr/Drogas para usar”. Tudo isso ainda, na pegada punk rock. “Inaceitável” vem rápida e agressiva, bem no sentimento de levantar o dedo do meio para o sistema.

“Noticias do Fim Novamente”, para mim, é a musica do álbum, uma batida mais lenta, voz um pouco mais melodiosa, letra muito bem trabalhada, refrão cativante.

“Lutar, viver, sofrer, sonhar
Vivendo por alguns minutos
Ideias para construir uma razão sem se perceber
Nos vomitam novas teorias de miséria e fome
Enquanto alguns carregam um grande peso em suas costas
Esperando por um prometido paraíso ao lado de Deus

Daqui se vê um grande temporal
Com nuvens negras vindo em nossa direção
Saiam das ruas, fechem às portas
Esperem por notícias hoje na TV

Miséria e caos, MST
Sempre foi muito mais fácil não pensar
Agricultura, economia nunca fizeram muito parte da sua vida
Agora fale suas bobagens para todo mundo rir!

Se eu te perguntar sobre quem é você
Será que você vai saber o que dizer?
Nada mudou, somos novos moralistas”

Chamada pela bateria, “Lixo Humano” vem rápido a anunciar o nosso desprezo pelos menos afortunados. Quantos de nós atravessam a rua ou viram os olhos quando avistamos pedintes. Contudo, eles são vitimas, muitas vezes, vitimas do que fazemos para ganhar nosso dinheiro.

“Porra nenhuma” é o que questiona nossos valores e o que realmente precisamos, será que precisamos de uma boa formação? Será que precisamos de um bom emprego? O que é uma boa formação? O que é um bom emprego? Será que precisamos de todas estas merdas para uma vida real, ou só para uma vida de mentira, uma vida alinhada ao que a “sociedade” quer que a gente seja.

E chegando ao fim do álbum, “País dos Miseráveis”, trazendo à revolta que gera essa Luta Civil, desmascarando tudo aquilo que está errado nesse país. Onde a justiça vale para uns e para outros não, onde os que mais julgam são os que mais erram.

Chegando ao final da audição temos um álbum ótimo, punk rock de primeira, letras ácidas, som rápido, guitarra suja. Registro indispensável na coleção.

Banda: Luta Civil
Disco: Mentiras e Piadas
Ano: 2014
Tempo: 28:10 min.
Faixas
1.       POP pra quê?
2.       Eu quero (trilha sonora Rock n’ Roll)
3.       Mentiras e Piadas
4.       Dependência
5.       Mosh
6.       Outra Resposta
7.       Inaceitável
8.       Notícias do Fim Novamente
9.       Lixo Humano
10.   Porra Nenhuma
11.   País dos Miseráveis

Streaming e download: http://lutacivil.bandcamp.com/

terça-feira, 22 de julho de 2014

Resenha: Meivorts – Autocontrole

Os dias vão se passando, a idade vai chegando, a correria aumentando. O tempo passa e a manipulação midiática continua. Apesar de todas as investidas da grande mídia o número de pessoas questionadoras aumenta. E o punk/hardcore desde seu inicio no final dos anos 70 teve papel fundamental. Bandas começaram, bandas terminaram, mas a resistência ainda continua. Até mesmo bandas mais novas que misturam melodia, hardcore e metal detêm o pensamento crítico para poderem contestar e não serem somente mais uma ovelha a pastar.

Nesse contexto surgi em Valinhos/SP (mais uma representante do Interior Hardcore) a banda Meivorts. Formada por Vih (v), Gui Trento (g), Diego Kirk (g), Carlos (dr) e GC (bs), lançam seu segundo EP, intitulado “Autocontrole”, gravado entre março/2014 e abril/2014 no Chapola Studio e distribuído pela Motim Records. Uma mistura de hardcore, punk e metal, com influências de bandas como Offspring e Bad Religion, com letras políticas que nos fazem pensar sobre a correria do dia-a-dia, a manipulação da mídia e dilemas pessoais.

Abrindo o disco “Chega” tem pouco tempo para introduções. A letra começa “Estamos juntos nessa,/sem forças pra dizer... /Sem forças pra lutar/ou até mesmo pra esquecer.”. Musica com uma pegada rápida, no estilo “tu-pá”, com algumas passagens grooves, mostrando uma influencia do metalcore. Guitarras muito bem trabalhadas, com solo e riffs rápidos e com bastante melodia.

“Autocontrole” é a faixa que dá titulo ao EP, e já começa com uma abertura mais “emocionada”,          só na guitarra e depois acompanhada pelos demais instrumentos. Interessante que o riff de abertura contrapõe o instrumental, que começa com uma pegada mais lenta e depois ganha velocidade. A faixa continua nessa toada, emocionada, lenta, rápida. Outro fato marcante e raro é um solinho de baixo.

A terceira faixa é a “O que vai ser então” e já vem com velocidade total. Bastante melodia e bastante tupá-tupá. Final bem rápido e pesado. Letra ótima, mensagem bem clara. Foi a faixa que mais gostei, Escutei umas pá de veiz.

“Decisões a tomar, acordos pra fazer
Milhões de vidas pra enganar
e uma imagem de inocente na TV
o que te faz pensar que eu acredito em você?
Vejo claramente a hipocrisia
transmitida pelos seus próprios erros

O que vai ser então? Devo omitir enfim?
A minha vida em vão... Caminhando para o fim”

Quarta e ultima faixa, “Preso na própria liberdade”. Seguindo na velocidade da faixa anterior, esta só cadencia no momento em que o instrumental dá espaço a voz. A faixa intercala momentos pesados, momentos cadenciados e momentos rápidos. Tudo isso em perfeita sintonia. Instrumental que encaixa perfeitamente com a mensagem da letra.

“Há muito tempo nos é imposto como devemos ser
O que usar, como vestir... sempre ditando regras!
A minha vida não é um jogo para ser apreciado
Por jogadores milionários, NÃO!

''Não há discursos e nem palavras.
Que me façam desistir.
Quando eu cair e houver flores.
Não haverá bandeira pra me cobrir.''

Vivo em muros altos e invisíveis que não tem como sair
Só há uma escolha a fazer
Aprender a viver e aceitar!
Não existe humildade, não existe compreensão
Vejo apenas falsidade e uma eterna detenção pra mim!”

Chegado ao fim da audição temos a conclusão de um EP ótimo, com boas doses de velocidade e peso, isso sem mencionar na técnica de todos os músicos envolvidos, que fortaleceram mais ainda qualidade do registro. Sem sombra de dúvidas, disco pra se ouvir todos os dias, item indispensável na coleção/HD de todo amante do gênero.

Banda: Meivorts
Disco: Autocontrole
Ano: 2014
Tempo: 11:42 min.
Faixas
1.       Chega
2.       Autocontrole
3.       O que vai ser então
4.       Preso na própria liberdade

*Link disponibilizado pela própria banda





quarta-feira, 16 de julho de 2014

Resenha: Take me Back – Risca a Faca

O movimento punk no Brasil começou nas cidades grandes, uns dizem que foi em São Paulo, outros falam que foi em Brasilia. Isso não importa muito, o que importa que a cultura punk foi disseminada por toda parte do país. Começou na capital e invadiu o interior. E é um representante do interior paulista que trago hoje. Take me Back, oriundos de Itapira, iniciaram suas atividades em 2010. Formada por Lik Galaverna (Vocal), Alemão (Guitarra), Cristiano (Baixo) e Junior Domingues (Bateria) tem “o intuito de unir a ira do punk rock com agressividade e a dureza do hardcore. Criando uma música intensa e direta”. E é nesse contexto que em 2014 lançam seu segundo EP, intitulado “Risca Faca”.

Sem muitas frescuras “Nas cegas profundezas da noite” começa trazendo a violência com velocidade ao registro. Bateria rápida, cordas pesadas e vocais grossas.  Apesar da musica curta ela tem um espaço para um solo de guitarra bem trabalhado.

“Repetição”, não tem espaço para introdução, vocal registrando sua presença desde o primeiro segundo. Essa faixa tem uma pegada mais pesada e cadenciada em seu refrão, trazendo uma influencia mais moderna. Mesmo tento um refrão cadenciado a faixa é curta e a maior parte dela tem uma pegada mais rápida.

A terceira e ultima faixa que leva o nome do registro, “Risca Faca” vem extremamente rápida, introduzida somente pela guitarra. Com um refrão muito interessante onde contrapõe bateria rápida e cordas marcando somente junto com o vocal, esta faixa se torna o grande destaque do disco.

Disco curto, com apenas 3 faixas e de curta duração. Mas um registro memorável que deixa qualquer amante do gênero feliz. Take me Back vem pra consolidar o interior como produtor de Hardcore, não perdendo em nada para as bandas da capital.

Banda: Take me Back
Disco: Risca a Faca
Ano: 2014
Tempo: 04:04 min.
Faixas
1.       Nas cegas profundezas da noite
2.       Repetição
3.       Risca faca

Streaming e download: http://takemeback.bandcamp.com/


sexta-feira, 6 de junho de 2014

Resenha: Fast Falling – Caindo Rápido, Levantando Devagar.

Lembro-me que quando fui iniciado ao rock em geral, eu torcia o nariz quando tocavam bandas de Hardcore Melódico, não gostava do estilo, achava muito adolescente (e olha que eu era um). O tempo passou, e agora que eu sou um adulto eu lhes apresento Fast Falling de Indaiatuba/Br.

Fabio Dini (vocal/baixo), Leo Dias (guitarra/vocal) e Vinicius Esteves (bateria/vocal) lançaram este ano (2014) o EP “Caindo Rápido, Levantando Devagar”, influenciados pelo Hardcore Melódico, Skate Punk, Punk Rock anos 90 e tudo o mais que gira envolta genero.

Logo de cara, acendendo o isqueiro, “Nunca vai Mudar” vem na pegada rápida e melódica, com varias paradinhas de instrumentos na introdução e no interlúdio dos versos. Vocal legal, melodioso e sem parecer chorado (como algumas bandas fazem). Apesar de no refrão o já conhecido Woooo soar, a musica não ficou clichê.

“Já não importa mais” começa rápida também, e o legal da musica é o coro ao fundo (os WoOoOo AaAaA), muito interessante a velocidade com melódica dos interlúdios entre estrofes. E o destaque, também, vai para a letra:

“Sempre, essa sujeira vai durar pra sempre
Não falo da merda no asfalto cru
Se fosse seria muito melhor

Fácil, tudo seria mais fácil
Se a ganância não fosse maior
Na lápide é um homem de paz... PAZ?!

Eu também vou descansar um pouco
Desse jogo que não faz sentido
Não vou tentar ser o cara certo, mas...
Já não importa mais

Vendi, mais uma de minhas ações
Agora já tenho muitos milhões
Que não me compram mais nada

Eu também vou descansar um pouco
Desse jogo que não faz sentido
Não vou tentar ser o cara certo, mas...
Já não importa...

Eu também vou descansar um pouco
Desse jogo que não faz sentido
Não vou tentar ser o cara certo, mas...
Já não importa mais“

A terceira faixa é “O amanhã não pode ser uma promessa”. Introduzida apenas pela guitarra, logo é seguida pelos outros instrumentos. O vocal é um pouco mais cadenciado nesta faixa, e tem até uma pausa para um reggae no meio, muito interessante esse contraste. E assim como usa antecessora, destaco a letra desta também:

“O amanhã não pode ser uma promessa,
É bom ser rápido, que eu tenho pressa
Pra enfrentar o dia de hoje
Mesmo que isso me deixe podre
O que importa pra mim é lucrar
Ficar rico e me ajustar
A essa sociedade doente
Onde o que importa é mostrar os dentes...

Mas quem é real reconhece o real
E não consegue se acalmar
Com essa farsa que não nunca muda!
E é por isso que eu dou as costas
Quero mudanças e não só respostas
Mas ninguém nunca quer mudar!

Eu vou deixar pra trás o que não presta
Só vou focar no que interessa
E eu vou marcar o dia de hoje
Como “O dia que eu apertei o ‘Foda-se’”!
Pois o que importa mesmo é respirar
Ser sempre livre e sempre sonhar
Virar as costas pra muita gente
Ter sangue frio e encarar frente a frente!

Mas quem é real reconhece o real
E não consegue se acalmar
Com essa farsa que não nunca muda!
E é por isso que eu dou as costas
Não quero vingança, mas quero respostas!
Mas ninguém sabe raciocinar...”

Na sequência vem “Pra sempre esquecidos”, e essa vem com uma pegada mais Old School na introdução, letra mais curta que as faixas anteriores. O refrão é mais agressivo, não puxando tanto o melódico do gênero. Resumindo, ótima faixa.

Continuando numa pegada mais Old School, “Ciclo Vicioso”. A policia vem e o baixo dá o tom rápido da musica. Chuto que essa é uma das melhores faixas do disco, e a mais veloz também, mas sempre unido com melodias.

“O pavio vai chegando ao fim...o difícil é se controlar” porque o “Tempo passa” e nos trás a sexta e ultima faixa do disco chamada “O Tempo Passa”. Essa com certeza é a musica mais melodiosa do registro, a pegada mais lenta que as outras, também trás mais emoção, podendo facilmente ser cantada junto pelo ouvinte.

Chegado a hora d’O veredicto, facilmente podemos sentenciar que é um ótimo EP, musicas boas, letras boas, e tudo o mais. Recomendado para todos os adoradores das quatro rodinhas de silicone.

Banda: Fast Falling
Disco: Caindo Rápido, Levantando Devagar
Ano: 2014
Tempo: 16:18 min.
Faixas
1.       Nunca vai mudar
2.       Já não importa mais
3.       O amanhã não pode ser uma promessa
4.       Pra sempre esquecidos
5.       Ciclo vicioso
6.       O tempo passa

Streaming e download: http://fastfalling.bandcamp.com/


quinta-feira, 5 de junho de 2014

Resenha: Sem Recesso – Demo

Há vezes que eu paro e penso no meu passado, na época da escola, e logo em seguida eu me vejo hoje. As coisas que penso, as coisas que faço, e me pergunto, o que seria de mim se naquela época se eu já escutasse powerviolence. É com isso que hoje eu trago a vocês a banda Sem Recesso. Apresentando sua primeira demo, numa pegada bem rápida, letras e musicas curtas no melhor powerviolence style.

Abrindo o disco “Tatuagem de Palhaço” vem com tudo, sem tempo pra respirar. Depois “Não vou brindar” continua na mesma pegada violenta. Alias, você nem percebe e já esta escutando a terceira faixa “Sem serventia”, as duas aparecem totalmente emendadas, e está trás uma letra interessante. “Humanos descartados, objetos com defeitos/A sociedade julga sem serventia/Encarcerados numa cela, num asilo, num manicômio”. “Descontrole” também segue rápido na batida e letra crítica “Você só tem o resto da sua vida/Para trabalhar e pagar imposto até morrer/Em minhas veias, ojeriza e repulsa/Em meus olhos, descontrole e sono”. Na sequência, “Skate pirata 1 x 0 policia”, ainda na violência. E logo depois “Fogo no altar” vem mais violenta ainda, sonoramente e liricamente. “Vamos queimar igrejas/Vamos aquecer as pessoas/Que moram nas ruas/E morrem de frio...”. “Foda-se Deus” é como uma continuação da faixa anterior. “Vou vomitar na sua cruz - foda-se deus/Vou cuspir em jesus - foda-se deus”. Logo na sequencia, “Jaulas com motores” trás uma letra interessante também. “A dor se espalha nas ruas/Com o nome de acidente/Quantas vidas serão tiradas/Com suas jaulas com motores?”. Praticamente grudada “Depois do açaí” é a faixa mais extensa do disco, com meros, 1:14 min, e vem com uma pegada mais cadenciada, no começo, mas assim como as outras, ela trás velocidade e pancadaria em seu ritmo. E depois do açaí tem espaço para mais um pouco de “Vio-lencia” e “Declinio me representa”.

Resultado final, quase 6 minutos de puro Powerviolence bem politizado, e felicidade do ouvinte que o escuta.

Banda: Sem Recesso
Disco: Demo
Ano: 2014
Tempo: 05:49 min.
Faixas
1.       Tatuagem de palhaço
2.       Não vou brindar
3.       Sem serventia
4.       Descontrole
5.       Skate pirata 1 x 0 polícia
6.       Fogo no altar
7.       Foda-se dues
8.       Jaulas com motores
9.       Depois do açaí
10.   Vio-lência
11.   Deicídio me representa

Streaming e download: http://semrecesso.bandcamp.com/ 

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Resenha: Chained Down – Crossroads

Apesar de o punk estar associado, para a maioria das pessoas, ao aspecto “sujo”, bêbado, drogado, sem banho. Há o lado face limpa, chamado de Straight Edge. Iniciado com bandas como Teen Idles, Minor Threat, SDD e depois ganhado impulso com as bandas Youth Crew, o estilo permanece vivo e, diga-se de passagem, ainda mais forte. Chained Down é uma das bandas que ajuda o estilo se perpetuar. De Salt Lake City, (Utah/EUA) apresentam em 2014 o EP “Crossroads”.

Abrindo o disco com força total, “Doubt” tem tudo o que o estilo demanda. Guitarras pesadas, bateria rápida, baixo distorcido, vocal gritado, paradas, breakdown e tudo o mais.

“Sham Life” começa rápida e sem introdução, com o vocalista já mandando o verbo. “Sell me out/Just to get ahead/You're just as real/As the words you said/Trying to please everyone you meet/I'm not going to fall/For your deceit/Going on about your so called life/You can't fool me/I know what's right/The time will come/When you will see/You're living a sham/And the truth will set you free/Set you free”. E no meio da faixa há as famosas pausas para o 2step que os amantes do gênero tanto amam.

A guitarra em cavalgada chama a faixa “Impact”. Com uma pegada até meio Thrash Metal a musica tem grandes chances de ser o destaque do disco. Não só pelo som, mas pela letra:

“I want to thank
Everyone I know
For leading me down
This new found road
Every step I've made
Every move I make
Has made me who I am today

I am where I am
Because of the ones
Who gave me a chance

Take a step
A leap of faith
You'll never catch what you don't chase
Take a step
Set a pace
You'll never catch what you don't chase

I am where I am
Because of the ones
Who gave me a chance

This one goes to everyone who's helped me along the way
No matter how big or small
Impact is impact
And everything I've done has led me to where I am

Keep it real
Bust it”

“Vile” é introduzida pelo contra baixo, logo dá espaço para todo o instrumental, para depois retornar a ser o coadjuvante dando tom para o vocal. Esta faixa tem uma pegada mais lenta que as demais do disco, mas não por isso se torna menos legal, tendo seu valor para o registro.

Emendada com “Vile”, “Identity”, é introduzida por um baixo rápido, sendo seguido da mesma forma pela guitarra e bateria. A faixa só dá uma parada para um refrão e um breakdown. Outro fato que destaca “Identity” é a letra antidrogas e siga de cara limpa:

“I live my life
Day by day
Always focused
Always straight
I'll never falter
I'll never stray
I'll live my life
The straight edge way

Drug free
For me

No temptations
None for me
I'm set apart from society
Who I am is who I'll be
Straight edge is part of my identity

Who I am is who I'll be
Straight edge is part of my identity

I live my life
Day by day
Always focused
Always straight
I'll never falter
I'll never stray
I'll live my life
The straight edge way”

Na pegada rápida vem “Strenght Within”, com outra boa letra:

“Times have changed
And it's gotten rough
It's easy to say
"I've had enough"
Hold strong
Be true
Don't let times get to you
Don't look down
Keep your head up high
Don't give in
Just try
Focus on how to thrive
Focus on how to survive
How to survive

Don't make excuses
Make corrections
The power to change
Lies with the strength within
Holding strong and being true
Provides the power of the strength within

Strength Within”

Continuando a pedrada “Set Aside” vem com a guitarra dando o tom, mas em pouquíssimo tempo já vem o conjunto inteiro. Legal quando fica só a bateria e vocal. Mais uma faixa boa e que você por horas se pega cantando junto. E o melhor, no final tem coro, o que nos ajuda a decorar as letras. “Set aside/Our differences/We're all in this together/Hardcore lives/Wave your colors/Be who you are in inside/Show me some more of that/Hardcore pride”

E para fechar com chave de ouro, “Held back” vem rápida e com direito a todos os artifícios do gênero, 2 step, breakdown, bateria rápida, coro e etc.

Conclusão. 8 faixas, 13 minutos de puro Hardcore. Letras ótimas, com pegada de Positive Hardcore. Disco pra se escutar a qualquer hora do dia.

Banda: Chained Down
Disco: Crossroads
Ano: 2014
Tempo: 13:03 min.
Faixas
      1.       Doubt
      2.       Sham Life
      3.       Impact
      4.       Vile
      5.       Identity
      6.       Strenght Whitim
      7.       Set Aside
      8.       Held Back

Streaming e download: http://chaineddown.bandcamp.com/


terça-feira, 27 de maio de 2014

Resenha: Maladjusted – Death is the Only Relief

É impressionante como a musica se renova a cada geração, a cada gênero musical, a cada lugar. E no Punk não é diferente, inúmeras bandas aparecem com sons totalmente novos. Maladjusted (Los Angeles, California/EUA) é uma que se encaixa nessa categoria. Tendo como proposta o Powerviolence, eles lançam o EP “Death is the Only Relief”.

Abrindo o disco com velocidade total vem “Nausea”. Musica curta, baixo distorcido, letra curta. Mostra bem o que nos espera pelo resto do disco. Logo emendada vem “Submission”, entrada bem cadenciada, mas que logo dá lugar a velocidade e vocal gritado, onde os vocais se revezam, horas voz feminina, horas voz masculina; instrumental pesado e bem sujo permeia a musica toda.

“First Stone” começa com um narrador e guitarras em interferência. Ao término do narrador a vocalista começa “why do we have to ask you to be fair/to keep jobs/to make ends meet/all while hidden/turned away senseless abuse/all for your god/fuck your righteous home/your put on happiness/fuck your spiteful ignorance/our right to choose/our right to fucking choose”. Som muito pesado este, que pode ser eleito facilmente com melhor do disco. A quarta faixa “Drained” vem emendado com velocidade total, só cadenciando entre um riff e outro, dando um tom sludge e obscuro à composição.

Em seguida vem a faixa mais curta do disco “Loathing”, com apenas 28 segundos, mas o que mesmo assim, não a torna dispensável. Violência em voga esses 28 segundos do começo ao fim.

“Prey” começa tudo junto, guitarra, baixo, bateria e vocal. Continuando com a velocidade que o gênero demanda. A letra desta musica vem para nos alertar sobre o que acontece com o que comemos (animais), segue a letra:

“fight or flight all your life
prey from the start
glutted breath measured age
stagnant life exploited being
conscious of all they’re feeling no remorse
constant screaming
who not what
every cage every means to enslave
every animal sent to their grave
one final breath
they all died slow”

E “Humyn” é introduzida por um baixo bem lento, logo em sequência vem a bateria e o vocal declarando: “mothers daughters/fed to the wolves/sons forgotten/fed to the wolves/behind the lights behind the lies/sex rape murder hide/fed to the wolves”. A faixa é quase como uma introdução a “Six Shots”, que começa com velocidade, sendo uma das melhores faixas do disco.

O disco trás um powerviolence, mas com bastantes passagens sludges, som violento e obscuro ao mesmo tempo, encaixando perfeitamente com as letras. Um disco bem coerente, indispensável tanto na biblioteca virtual quanto na coleção de discos da prateleira.

Banda: Maladjusted
Disco: Death is the Only Relief
Ano: 2014
Tempo: 09:01 min.
Faixas
      1.       Nausea
      2.       Submission
      3.       First Stoned
      4.       Drained
      5.       Loathing
      6.       Prey
      7.       Humyn
      8.       Six Shots

Streaming e download: http://maladjustedhc.bandcamp.com/




quarta-feira, 21 de maio de 2014

Evento: Punch em Mogi-Mirin


Último show da tour do Punch!

Coletivo Insurgência Ativa apresenta:

Punch (San Francisco/CA - EUA)
http://punchcrew.bandcamp.com/

Urutu (SP)
http://urutu.bandcamp.com/

Ritorsione (Uberlândia/MG)
http://ritorsione.bandcamp.com/

Makumbah (Leme/SP)
http://makumbah.bandcamp.com/

08 de Junho | Domingo | 16:20h

+ Venda de material independente (camiseta, vinil, cd, patch, bottom, etc.)
+ Venda de comida vegana
+ Discotecagem no vinil

Entrada: 
$10 - antecipado (em breve sai os pontos de venda)
$15 - no dia

Local do show: 
Bar do Juca | Av. Padre João Vieira Ramalho, 325 Mirante, Zona Leste | Mogi Mirim/SP

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Mosh no Mato em Araras


Mosh no Mato

Dia 24 de Maio em Araras!

Sabadão de muito punk, metal, catira e ideia forte no Calçadão!

Com a caboclada do 
Ação Tóxica (Porto Ferreira), 
Hippies not Dead (São Carlos), 
Garrafa Vazia (Rio Claro), 
Jamblabers (Araras) e 
ATX (Araras). 

Horário: 15h00 as 22h00
Local: Calçadão Monsenhor Quércia (Rua Júlio Mesquita, 400)
Centro - Araras / SP


H.B.F.L. apresenta Metal Fest em Leme/SP


H.B.F.L. apresenta METAL FEST

31 de maio 2014 - Sábado - 16:30h

Entrada: R$ 10,00

Local: Kaiowas MC
Av. 29 de Agosto, 1259 
Centro - Leme/SP

Bandas

Gammoth - Death Metal (Leme)

Desdominus - Death Black (Americana)

Devil on Earth - Speed Thrash (Barra Bonita)

Carniceiro - Metal Vira-Lata (Rio Claro)

*Sorteio de uma tatuagem de 1 Sessão no Renato Tattoo Studio.

Facebook: https://www.facebook.com/events/1411759155758290/?ref=2&ref_dashboard_filter=upcoming